Ele ficou parado por um tempo que ainda
não sei determinar, como que se esperasse a minha reação. Era duro saber que
partia, assim tão depressa. Parece que o tempo foi tão curto, que encurtaram-se
as horas e a vida foi encurtando junto. Ele não quis saber de delongas, virou
de costas e foi andando, não olhou para trás, pois não queria que eu visse que
seu coração partia-se junto com sua partida. Era uma tarde nublada, o sol prendia-se
no horizonte, em um esforço tremendo para não cair na imensidão do outro dia
que começava, quando o meu terminava e instalava-se, levemente a noite. Os seus
passos eram decididos e escancaravam uma convicção desleal, que me deixava sem
reação. Eu nada podia fazer, ou corria e me atirava em seus pés e implorava que
ficasse, ou não interferia no seu destino e deixava-o ser feliz em sua nova
vida. Nem toda vida é nova e nem tudo que é novo prediz felicidade. Tudo a
minha volta começou a esquentar, meu coração acelerou em um ritmo frenético,
ele podia nunca mais voltar quando voltasse, já que não seria o mesmo, haveria
crescido em vários sentidos, teria toda a independência que sempre me neguei a dar-lhe.
Ele continua andando e parece negar meu desespero, ele sabe que estou quase
para gritar e deixar a minha angustia prevalecer. Para um carro preto e alguém de
dentro abre a porta, escuto risos e uma música Flash Back tocando, alguém tem
pressa, pois não desliga o carro e parece continuar acelerando, em sua mente,
tão atordoada pela insanidade que é posta, pela velocidade de tudo, onde tudo
tem que estar sempre acelerado como que precisasse estar sempre à frente da
luz, a frente do limite que se impõe ao próprio limite, que é um espectro que
perpassa os limites do inimaginável. Ele finge que vai entrar no carro, mas
vira e sai correndo, atira-se nos meus braços em um abraço derradeiro. Caio sentado
no chão e começo a chorar, ele olha nos meus olhos e limpa as lágrimas com os
dedos sujos de chocolate. Não esquece de me buscar amanhã papai. Consenti com a
cabeça e deixei-o ir. O coleguinha grita em um volume mais alto que o som. Meu filho
sai correndo e atira-se para dentro do carro, que sai em disparada para a fila
de pontos vermelhos atrás do sinal. Meu filho crescera, ia dormir pela primeira
vez fora de casa, esperei jamais ter que ver o dia, em que ele sairia de casa e
só voltaria no amanhecer de um dia improvável, no importuno ciclo da vida. sábado, 9 de junho de 2012
Despedida
Ele ficou parado por um tempo que ainda
não sei determinar, como que se esperasse a minha reação. Era duro saber que
partia, assim tão depressa. Parece que o tempo foi tão curto, que encurtaram-se
as horas e a vida foi encurtando junto. Ele não quis saber de delongas, virou
de costas e foi andando, não olhou para trás, pois não queria que eu visse que
seu coração partia-se junto com sua partida. Era uma tarde nublada, o sol prendia-se
no horizonte, em um esforço tremendo para não cair na imensidão do outro dia
que começava, quando o meu terminava e instalava-se, levemente a noite. Os seus
passos eram decididos e escancaravam uma convicção desleal, que me deixava sem
reação. Eu nada podia fazer, ou corria e me atirava em seus pés e implorava que
ficasse, ou não interferia no seu destino e deixava-o ser feliz em sua nova
vida. Nem toda vida é nova e nem tudo que é novo prediz felicidade. Tudo a
minha volta começou a esquentar, meu coração acelerou em um ritmo frenético,
ele podia nunca mais voltar quando voltasse, já que não seria o mesmo, haveria
crescido em vários sentidos, teria toda a independência que sempre me neguei a dar-lhe.
Ele continua andando e parece negar meu desespero, ele sabe que estou quase
para gritar e deixar a minha angustia prevalecer. Para um carro preto e alguém de
dentro abre a porta, escuto risos e uma música Flash Back tocando, alguém tem
pressa, pois não desliga o carro e parece continuar acelerando, em sua mente,
tão atordoada pela insanidade que é posta, pela velocidade de tudo, onde tudo
tem que estar sempre acelerado como que precisasse estar sempre à frente da
luz, a frente do limite que se impõe ao próprio limite, que é um espectro que
perpassa os limites do inimaginável. Ele finge que vai entrar no carro, mas
vira e sai correndo, atira-se nos meus braços em um abraço derradeiro. Caio sentado
no chão e começo a chorar, ele olha nos meus olhos e limpa as lágrimas com os
dedos sujos de chocolate. Não esquece de me buscar amanhã papai. Consenti com a
cabeça e deixei-o ir. O coleguinha grita em um volume mais alto que o som. Meu filho
sai correndo e atira-se para dentro do carro, que sai em disparada para a fila
de pontos vermelhos atrás do sinal. Meu filho crescera, ia dormir pela primeira
vez fora de casa, esperei jamais ter que ver o dia, em que ele sairia de casa e
só voltaria no amanhecer de um dia improvável, no importuno ciclo da vida.
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